Capítulo 2

O restante do final de semana passou voando, com Sophia emburrada pelo beijo do Doug.
- Foi só um beijo, Soph – Thalia dizia – e ele ainda estava bêbado. Esquece isso.
Sophia em resposta resmungava qualquer coisa e mudava de assunto.



Os três amigos estavam anormalmente quietos no quarto, quando Danny soltou:

- Porra maluco, esses dias tava pensando no casamento da minha prima. Lembra como foi engraçado?
- Não, cara - Harry respondeu.
- Claro que ele não lembra, Danny. Harry tava absurdamente bêbado. Lembra que vocês brigaram depois disso porque ele pegou a sua prima?
- Não - respondi novamente
Danny fuzilou Harry com o olhar. Aparentemente não tinha superado ainda.
- Porra, pelo menos não era a prima que tinha casado.
- Era só a irmã mais nova dela - Danny reclamou.
Doug riu escandalosamente e eles começaram a contar fatos daquele dia - que Harry ainda não consegue se recordar.
- Minha mãe me obrigou a dançar com a minha prima para ela filmar - Danny refletiu - Eu definitivamente deveria ter feito aulas de dança. Pelo menos não teria passado toda aquela vergonha. Tudo bem que dançar com um refrigerante na mão também não ajudou muito...
Plim! Lâmpada na cabeça! Ideia vindo! Sou muito esperto! Sou dgdim!
- Danny, seu viado, você acabou de me dar uma ideia muito boa.
- Nem vem me pedir para participar dos seus planos porque eu não posso mais tomar advertência. O que quer que esteja pensando, despense, Harry, porque você também não pode dar mole.
Doug ficou reclamando de como Harry sempre fazia com que ele tomasse advertências e esporros e suspensões.
- E eu to tentando mostrar pra Soph que eu mudei pra tentar reconquistá-la.
- Olha a mocinha toda apaixonadinha, Danny.
- Cara, você ta mudando por causa de mulher? Elas tem que gostar de você como você é sem reclamar.
- Nem vem. Agora só quer saber de andar pra lá e pra cá com Sam. Só porque é transa garantida.
Silêncio. Imediatamente Doug e Harry olharam para o Danny.
- Você não comeu a Sam?
Essa foi a pergunta do Harry. A do Doug foi menos ofensiva.
- Cara, ela quer ir devagar. Eu to só respeitando.
- Sam indo devagar? Mas ela não já deu pro colégio todo?
- Ela disse que gosta mesmo de mim, e não quer estragar as coisas colocando sexo no meio.
- Na verdade, é outra coisa que você quer colocar no meio, né Jones?
- Então pede pra casar logo - Doug sugeriu - talvez assim ela libere.
- Cara, cala a boca, Doug. Ta muito mulherzinha pro meu gosto...
Na verdade eu não sei porque ela está travando tanto isso - Danny pensou - Dizem que quando a menina perde a virgindade ela meio que para de ligar pra isso. 
- Você não entende. Ela mexeu comigo. Não sei explicar.
- Talvez o fato dela ter rejeitado você... -  Danny voltou à conversa para comentar o assunto Sophia novamente.
- Não sei bem.
- Pensa isso, seu bocó - Harry sensível começou - ela estava louca por você, você cagou pra ela. Ela te deu um tapa, você a quer de qualquer jeito. É a única explicação...

O assunto morreu e Danny foi procurar a Sam.

- Sam! - chamou seu nome enquanto ela atravessava o pátio. 
Ela sorriu pra ele e mudou o rumo, vindo em sua direção.
- Oi meu amor.
Ela beijou com vontade e isso só fazia seu desejo por algo a mais aumentar.
- Que tal se a gente matar aula agora?
Ela sorriu maldosamente e assentiu.
- Que tal se a gente tirar o dia inteiro de folga?
Danny não conseguiu conter um pensamento maldoso.
- Seu quarto? O meu o Tom pode entrar...
- Eu mando a Bela ficar fora o dia todo.
Entrelaçaram os dedos e Danny a puxou para um abraço. Seu perfume doce exalava desejo.
Esperaram que todos estivessem em aula para rumarem até a Torre do quarto dela.



Eu quero muito transar com o Danny. Eu o amo. Desde sempre. Mas na boa, pra isso é preciso confessar uma coisa. Eu sou virgem. Eu sei. Sammy Bradley. Líder de torcida. Já namorou uns quatro caras ano passado. Virgem? Há! Impossível.

Mas é verdade. Eu sou. E estou com medo. Medo de ser ruim e ele não querer mais nada comigo. 
Sabe, a vida no colégio é feita de impressões. Infelizmente. Manter as aparências é horrível. Por isso queria ser como a Bela, que não liga pra essas coisas. 
- Sam! 
Ele beijou a garota com urgência depois que ela trancou a porta do quarto e colou seu corpo no dela. Ela podia sentir seu desejo aumentando. Tirou a blusa dele e em seguida a própria. Danny focou seus olhos nos seios da garota, beijou-os e ajudou a tirar o seu top. Sua boca percorria o pescoço nu dela, encaminhando-a até a cama onde deitaram.
- Danny - sussurrou e ele suspirou, já sabendo o que viria a seguir.
- Por que, Sam?
Eu tinha que contar pra ele, certo? Eu deveria contar pra ele.
- Porque eu gosto de você, Danny.
- E eu também gosto de você. Qual o problema então?
- Você está certo. Desculpe. Não deveria ser tão chata com isso.
- Não, Sammy. Não deveria.
Ele quase gritou e ela mordeu o lábio inferior, evitando ao máximo cair no choro.
- Desculpe, Sam - ele disse após alguns minutos, mais calmo - Desculpe, eu não deveria te cobrar nada e muito menos te tratar assim. 
Agora foi só isso. Mas será que se eu demorar a ceder ele se cansa? Vai procurar em outra o que não conseguiu em mim?
- Danny?
- Oi?
- Eu quero.
- Quer o que? - ele perguntou meio distraído.
Sorri maliciosamente e ele entendeu o recado. Com calma voltamos às preliminares e Danny me olhou profundamente antes que eu assentisse e desse passagem a ele. Doeu. Não to brincando, doeu muito e os meus gemidos eram puramente de dor. Não consegui sentir prazer algum, mas ele definitivamente sentiu. 
Fizemos pela segunda vez antes de tomarmos banho juntos para a aula de Teatro, mas pra mim foi a mesma coisa. Nada prazeroso, mas com certeza menos dor.



- Thalia!

Thalia virou e deu de cara com Harry andando rápido e pedindo com a mão que esperasse.
- Te encontro na aula - Sophia riu baixo e saiu, fazendo a amiga corar de vergonha.
- Oi - ele disse simplesmente depois de tê-la alcançado.
- Oi - ela respondeu envergonhada
O que Harry quer comigo?
- Eu estava pensando - ele coçou levemente a cabeça - e já que você é tão boa com dança, podia me ajudar...
- E que tipo de ajuda você precisa? - Lia abafou um risinho - Aulas de Jazz?
O garoto sorriu e não se irritou com o deboche.
- Não. Eu preciso aprender a dançar porque a minha irmã vai se casar em dois meses e minha mãe quer que eu dance com ela.
Thalia olhou para ele, avaliando as possibilidades de aquilo estar realmente acontecendo. Então ela deu um passo à frente e bateu na cabeça de Harry.
- Ai! O que foi isso? - ele massageou o local, rindo.
- Saber se era de verdade. Sabe, você falando comigo e ainda por cima me pedindo favores...
- Claro que é verdade. Por favor, estou desesperado.
- Ok - ela disse incerta, mas pigarreou e logo aumentou a voz - Ok. Quais os seus dias livre?
- Teria como ser à noite?
- À noite?
- É que eu meio que quero fazer uma surpresa. Até para os meus amigos, que vão estar lá. Então se você puder não contar pra ninguém...
Thalia olhou desconfiada pra ele, mordendo o lábio inferior.
- Jura que não está pregando nenhuma peça?
- Juro - ele disse, e Lia acreditou. 
Eles combinaram um dia, um local e uma hora para as aulas, com Harry deixando bem claro que precisava ser segredo.



Sophia perguntou insistentemente para Thalia o que Harry queria com ela. Passou a aula inteira mandando bilhetinhos com milhões de “por favor, me conta!” e Thalia simplesmente sorria e negava com a cabeça. As duas saíram da sala, Sophia ainda chateada com a amiga, por não ter contado o que aconteceu.

- Puta que pariu – Sophia ouviu Thalia dizer e olhou pra onde ela apontou.
- Aquele é o...
- Danny. Com a Sammy.
- Nossa, fica até ridículo quando falado assim. Nomes que rimam são ridículos.
Fiz uma careta e pensei na nossa amiga.
- Nada de contar isso pra Flor.
- Combinado.
Sammy e Danny estava com os cabelos molhados e eu sabia o que isso significava. Por favor, não sou ingênua. Flor surtaria por dentro se descobrisse.
- Oi gente!
Florence apareceu, acompanhada do Tom. Soph e Lia trocaram um olhar desesperado começaram a tentar distrair a amiga.
- FLOR - Sophia quase berrou - QUE SAUDADE QUE EU TAVA!
- Virou mongol? Te vi hoje de manhã no café da manhã. Eu ein.
Thalia mais sutilmente, foi encaminhando a amiga pela direção contrária do casal.
- Ué. Aquele é a Sam? Com o Danny? - Tom perguntou para as amigas.
Thalia bateu na própria testa e Sophia jogou a cabeça para trás. Flor virou imediatamente para olhar. Seu rosto murchou, mas ela logo fingiu não ligar e continuou conversando com os amigos, um pouco mais distraída que antes.



Duas semanas se passaram desde que Thalia e Harry tinham começado as aulas particulares e ele estava conseguindo dançar perfeitamente. Combinaram uma última aula antes do casamento e Thalia já não tinha mais tanto medo de sair à noite escondida para encontrar com ele na sala espelhada. Mas ainda assim tomava muito cuidado.

- Vai aonde? - Sophia perguntou, desconfiada.
- Vou lá no quarto da Flor - Thalia pensou em incrementar a resposta - Ela quer conversar comigo.
- Ah - Sophia falou somente, se perguntando o motivo de não ter sido convidada também - Vai lá. Eu tenho dever de casa pra fazer.



Os dois já tinham dançado por mais de uma hora. Eles sempre conversavam nas horas de descanso. Thalia tinha aprendido a gostar mesmo do Harry e não imaginava como ele poderia ter feito tanta maldade com a Florence no passado. 

- Tá bom, chega de descanso. Vamos de novo.
Harry levantou resmungando eles ficaram em suas posições originais da coreografia.
- Cinco, seis, sete, oito.
Thalia mal terminou a contagem, Harry pisou no seu pé e caiu de costas no chão, rindo.
- Você está bem?
Ele só conseguia rir e Lia estava preocupada.
- Tá maluco, Harry? Por que ta rindo? A batida afetou sua cabecinha, foi?
Perguntou apontando pra a própria cabeça e ele ainda rindo esticou os braços para que ela pudesse ajudá-lo a levantar. 
- Me puxa?
Ele perguntou com carinha de pidão e ela cedeu. Mas assim que suas mãos tocaram as dela, ele puxou-a para baixo, fazendo-a gritar e cair em cima dele.
- Acho que a batida realmente afetou sua cabecinha - falou enquanto rolava para o lado a fim de evitar um momento mais constrangedor.
- Obrigada por me ajudar, Thalia.
Ela estava se ajeitando ao seu lado, olhando para o teto, assim como ele. Ficaram assim por um minuto até que ela esboçou um sorriso tímido.
- Sabe de uma coisa? Por baixo desse seu jeito de machão, você é um carinha muito sensível.
Imediatamente ele fechou a cara e ela franziu o cenho, sem entender. Ficaram deitados por mais alguns minutos antes d'ele voltar a falar.
- Eu fiquei assim quando tinha uns onze anos - ele falava pausadamente e ela assentia para que continuasse - Foi quando meu pai largou a minha mãe. Ele era gay, o meu pai. É ainda, na verdade. Todos na escola me sacanearam. Por isso mudei de colégio. Não tinha um aluno que não me sacaneasse, me batesse, me jogasse no lixo...
Ele fez uma pausa e a garota estava abobada. Nunca imaginaria isso do Harry. Era o Harry!
- Quando entrei nesse colégio, prometi a mim mesmo que nunca mais deixaria que fizessem isso comigo ou com meus amigos. 
Sua respiração foi acalmando e ela percebeu que ele contava tudo aquilo com muita raiva. Virou de lado para ficar mais próxima e ele fez o mesmo. Naquele momento ela sentiu uma vontade inexplicável de tocar o seu rosto, mas se arrependeu no instante que o fez. Tirou a mão, mas ele encontrou-a no meio do caminho e entrelaçou seus dedos.
- Não pareço mais tão legal assim, não é?
Thalia sorriu. Ele sorriu de lado e seu olhar estava envergonhado.
- Não - balançou a cabeça - Parece mil vezes mais legal. Pelo menos pra mim.
Ficaram se olhando porque parecia a coisa certa. Ele tinha um efeito hipnotizante sobre ela. Como Thalia não conseguia desviar o olhar, resolvou amenizar o assunto.
- Mas sabe, você nunca me enganou. Toda essa história de querer aprender a dançar pro casamento da sua irmã... Que cara malvado faria isso? Você não, né?
Ele desviou o olhar.
- Olha, Thalia, sobre isso...
- Nem vem dizer que você foi obrigado porque eu duvido muito disso.
Olhou com cara de quem sabe de tudo e ele riu.
Aquela situação estava começando a ficar constrangedoramente íntima. Mas ela se sentia absurdamente confortável para falar o que fosse com ele. Não sabia porquê.
- Me conte um segredo agora, Lia.
- Oi?
- Eu te contei um segredo. É a sua vez.
Ele olhou para ela, que cedeu à sua vontade. Thalia não tem muitos segredos, então contou o primeiro que veio à sua cabeça.
- Meu nome não é Thalia.
Um minuto de silêncio constrangedor.
- Então quer dizer que não sou o único a tentar mudar quem eu sou? Conta pra mim. Quão feio era o seu nome? Qual era?
Thalia riu. Nunca havia contado isso pra ninguém, mas imaginava as reações das pessoas. Contou a história da sua vida, sobre o orfanato e tudo mais.
- E como não encontraram nenhum registro meu, não sabiam meu nome. Disseram que eu não falei nada por meses depois do acidente. Eu estava em choque e só chorava. Thalia foi o nome que me deram no orfanato. Só sabiam o meu sobrenome porque minha mãe estava com a carteira de motorista na bolsa.
Agora, diferente do que Thalia imaginava, ele não ficou com pena dela. Assim como ela não tinha ficado com pena dele antes.
- Está ficando tarde. Que tal se a gente sair daqui logo? 
A garota levantou desajeitadamente, batendo as mãos na roupa para limpar a sujeira.





Eles saíram da sala de dança e se esgueiraram pelos corredores com cuidado para não serem pegos. Harry andava silenciosamente e Thalia vinha logo atrás, como sempre com medo de ser pega. Tinham começado a correr quando Harry escutou um barulho muito alto. Olhou pra trás e viu Thalia estatelada no chão em frente ao laboratório de Química. 

- Você está bem? - sussurrou
Começou a andar o caminho de volta para ajudá-la quando uma luz acendeu e ele parou subitamente.
- Vai embora - ele pode ler seus lábios.
Se escondeu atrás da lixeira do corredor e esperou.
- Srta Hoppus, o que está fazendo aqui?
Era a voz da professora Wanda. 
- Puta que pariu- Harry mexeu os lábios sem som.
Ela me odeia. Se tivesse que escolher entre mim e o Hitler, escolheria o último sem dúvidas.
- Srta Hoppus, eu creio ter feito uma pergunta.
- Eu tava ensaiando, professora.
- Ensaiando?
Harry imaginou que ela tenha assentido, porque não respondeu verbalmente.
- Ensaiando o quê, exatamente?
- Jazz. Eu não estava conseguindo decorar os passos e achei que não seria de todo ruim se eu viesse ensaiar na sala espelhada...
Sua voz foi morrendo aos poucos.
- Então a Srta achou pertinente ficar transitando pela escola à noite, desacompanhada e sem permissão?
Ela demorou para responder.
- Não se repetirá. Desculpe pelo transtorno.
Harry quase pode sentir o ego da Wanda se inflando com tamanho respeito que estava sendo tratada. Era óbvio que Thalia sabia se comportar perante adultos, algo que ele custava a aprender. 
- A Srta está sozinha?
O garoto engoliu em seco e esperou passos vindos em sua direção de quando Thalia o entregasse. Mas isso não aconteceu.
- Sim senhora. Estou sozinha.
Expirou lentamente o ar e percebeu que o estava prendendo.
- Detenção durante a semana. Todos os dias.
Harry sentiu o coração apertar por ver que ela levava a culpa por ele. Nunca tinha sentido isso antes. Não se importava que pessoas assumissem a culpa pelo que ele era responsável. Mas sabia que se entregar significaria ser suspenso ou pior, graças ao belo histórico escolar que ele tinha.
- Agora se a senhora não se importa, preciso ir para a enfermaria cuidar dos meus machucados.
- Hoje não, Hoppus. Vá para o seu quarto dormir e amanha no intervalo poderá cuidar de seus machucados.
Ouviu Thalia gemer de dor e esperou até não ouvir mais barulho nenhum para sair esconderijo. Rumou silenciosamente até o seu quarto com um peso na consciência imenso. Mas se ela tinha assumido a culpa por mim é porque queria fazer isso, certo?




- Thalia, acorde. Você vai se atrasar.

A garota dormia feito pedra e parecia não querer dar sinal de vida. Ela se virou, deitando sob um braço e imediatamente berrando de dor.
- O que houve?
Ela sentou lentamente na cama, gemendo de dor de vez em quando e suspirou. Esticou o braço esquerdo pra a amiga.
- Thalia, seu braço está o dobro do tamanho!
- Não seja exagerada, Soph. É só o punho.
Era verdade. Estava imenso.
- O que aconteceu?
- Eu caí ontem. Machuquei o braço e o tornozelo.
Ela mostrou o seu pé e e Sophia não entendeu como ela conseguiu voltar pro quarto andando ontem à noite.
- Se arrume, vamos até a enfermaria.
- Mas se eu tomar um remédio eu melhoro. Não preciso ir até a enfermaria.
Ela ficou branca e Soph achou graça daquilo. 
- Tá com medo?
Ela suspirou e contou que tinha sido pega pelos corredores e que ir até a enfermaria significava contar toda a história. 
- Vai se arrumar e vamos resolver isso.
- Mas Soph...
- Oi? Eu ouvi um "mas"? Isso é uma ordem, Thalia.
Ela marchou - ou mancou - até o banheiro e Soph pegou o telefone.
- Alô, Tom? Preciso da sua ajuda.
Quando Thalia saiu do banho, Tom já estava no quarto. 
- O que você está fazendo aqui?
- Onde doí?
- Ai, Tom, para.
Como já estavam prontas, Tom pegou Thalia no colo desajeitadamente e foram levá-la para receber devido atendimento médico.
- Me solta, Tom.
Riram dela o caminho todo. Ela cobriu o rosto e se debatia tentando se livrar do Tom. Não funcionou. 
- Nossa, esse aqui está horrível - a enfermeira olhava para o punho da paciente.
- Vamos lá. Vamos tirar Raio-X pra ver melhor.
Soph e o Tom foram mandados direto para a primeira aula. No intervalo do almoço eles foram ver Thalia na enfermaria.
- Sophia - uma voz masculina chamou e ela xingou seu carma com todas as forças.
Andaram receosos até o Danny, que estava acompanhado do Harry e do Dougie.
- Oi, Danny - foi simpática com ele porque realmente gostava desse cara bobo. Os outros dois eu só acenou levemente com a cabeça.
- O que aconteceu com a Thalia? - ele estava preocupado e Soph achou isso bonitinho, porque ela realmente gostava do Danny.
- Ela torceu o punho e aparentemente machucou feio o tornozelo. Estava tirando Raio-X quando saímos de
lá - Tom respondeu, surpreendendo a todos da roda. 
- Meu Deus - Danny tapou a boca e arregalou os olhos - Como isso aconteceu?
- Ela ainda não contou pra ninguém. Não queria nem ir à enfermaria - Soph respondeu.
- Mas ela vai ficar bem? - Harry pareceu de repente interessado na conversa.
Ok. Por que o Harry quer saber da Thalia? Eles mal se falam. Doug deu uma risadinha escrota e olhou pro amigo achando graça.
- Acha essa situação engraçada, Poynter? 
Sophia olhou para ele com a mão na cintura e sobrancelhas arqueadas e imediatamente o garoto se calou.
- Não. Não acho - abaixou a cabeça.
E não achava mesmo. Fiquei com pena da garota. Mas achei graça do Harry, todo preocupadinho com ela. Quase como se ele gostasse dela. Porque convenhamos, Harry não se preocupava com ninguém.
- Pensei que achasse. Fica rindo igual a uma hiena no cio.
- Ei, isso não é justo. Eu só dei uma risadinha...
- Chega, vocês dois - Tom interrompeu a briga boba - Vamos visitá-la agora, Soph.
- Eu vou com vocês - Danny anunciou, saindo de perto.
Então o garoto puxou Sophia pelo braço e ela deu uma última olhada pra trás, ainda fuzilando Doug.
- Sabe, dizem que quando uma garota odeia muito um garoto, é porque na verdade ela o ama.
Doug olhou incrédulo para o Harry, que falava sério.
- Sabe - ele começou no mesmo tom que o outro havia falado - dizem que quando um garoto se preocupa demais com uma garota, é porque ele gosta dela...
Doug comprimiu os lábios a fim de manter seu semblante sério. Estava com vontade de rir da cara que ele fez.
- Cala a boca, Poynter. A garota se machucou toda. Eu só queria saber se estava tudo bem - sua voz foi morrendo.
- Sei. Sabe também que eu já sou seu melhor amigo há milhões de anos, né?
Ele deu de ombros e mudou de assunto.
- Mas então, cara. Eu tava pensando em como te ajudar com a Sophia.
Doug cruzou os braços e assentiu, esperando que ele continuasse.
- Bom, em três semanas vai ser o meu aniversário e eu tô disposto a fazer um favor pra você.
Suspirou. Se ele ia fazer um favor, com certeza Doug teria que fazer outro de volta.
- O que você ganha com isso, Judd?




Não foi difícil falar com os caras. Apesar de tudo que eles fizeram, eu sinto falta deles. Eu sei que eles não tem escrúpulos, são pessoas vazias e blablabla. Mas poxa, desde o episódio do anfíbio, nenhum cara quis falar comigo mais. Eles simplesmente achavam que não era bom pra imagem deles. Mas ainda sim eu sentia falta. Me processe por ser cuzão se quiser, mas pelo menos eu não minto.
- Lia, como você está?- Danny perguntou, chegando perto para um abraço que ela retribuiu.
- Com dor - ela fez uma careta.
- Como isso aconteceu?
Ela contou de como estava ensaiando escondida e tudo o que aconteceu depois, inclusive a detenção que tinha tomado.
- Como assim aquela vaca não deixou você vir na enfermaria ontem mesmo?
Florence que havia chegado a tempo de ouvir a história já estava indignada e checava a amiga inteira para ver se ela tinha outros machucados.
- Eu falei que ela tinha que ter vindo ontem - a enfermeira se aproximou - colocando um termômetro em Thalia.
- Eu não estou com febre - ela reclamou.
- Só procedimento de rotina.
Thalia fechou a cara.
- Mas assim eu vou me atrasar.
- Tá reclamando? - Tom riu - Quer trocar comigo?
Até a enfermeira riu dele. Ela enfim pegou a muleta pra Lia.
- Opa, acho que muleta não vai dar certo- ela mordeu a parte interna da bochecha, ao ver que Thalia quase caíra com as muletas.
- É o braço - ela levantou o braço engessado - não deixa eu me apoiar direito.
- Já sei. Espera só mais dois minutinhos.
E ela saiu da sala, deixando nós cinco sozinhos.
- Sabe, fiquei muito preocupado com você.
Tom revirou os olhos. Apesar de saber que o que Danny falava era verdade. Ele podia ser altamente submisso, mas não costumava mentir. E estava na cara que ele realmente se importava com a Lia.
- Own, seu lindo. Eu te adoro, sabia? 
Ela abriu os braços e ele a abraçou novamente. Vez da Florence revirar os olhos.
- Nossa, quanta melação.
- Só tá assim porque tá com ciúmes - Sophia soltou distraída e tapou rapidamente a boca com as mãos.
- O QUE? Ciúmes? Eu? Do Jones? Tá maluca, Sophia? 
Tom prendia o riso porque não queria morrer nas mãos da melhor amiga. Danny olhava confuso a situação e Thalia gargalhava. Ela não tinha noção do perigo que estava correndo.
- Você? Ciúmes do Jones? - Thalia soou irônica - Jamais, Flor. 
Florence mostrou seu dedo médio e Thalia mandou beijos de volta.
Danny e Flor ficaram calados até a enfermeira voltar com uma cadeira de rodas e Thalia arregalar os olhos.
- Eu vou ter que usar isso? - ela gemeu tristemente.
- Sim. Desculpe, mas você não pode colocar os pés no chão. E como a muleta não funcionou, é a sua única opção. A não ser que consiga alguém pra te carregar no colo o tempo todo, o que na minha opinião chama ainda mais atenção.
- Nossa. Todo mundo vai ficar olhando pra você - Soph comentou.
- Vai mesmo, que estranho - Danny finalmente falou.
- Obrigada pelo apoio, gente.
Tom deu um tapa na cabeça do Danny instintivamente. Ele olhou para o ex amigo e começaram a rir.
- Partiu sofrer na aula?
Flor perguntou e os outros assentiram. Tom ajudou Thalia com a cadeira e foi empurrando-a.





- Nada ué. Só quero te ajudar.
Doug olhou descrente. Afinal, era mentira. Harry pensava em convidar Thalia, mas sabia que ela nunca aceitaria se tivesse que ir sem seus amigos. Então convidaria também Sophia, Tom e Florence. Não sabia se eles iriam, mas pelo menos teria feito sua parte.
- Enfim - Harry voltou a falar após um pequeno minuto de silêncio - quer saber o que é?
O sinal tocou indicando que a aula começaria, então foi contando pra ele durante o caminho o que havia pensado. 
- Seu pai que vai bancar isso tudo?
Harry assentiu e desanimou um pouco. 
Ele estava fazendo isso porque queria amenizar alguma situação. Eu sabia disso. Era sempre assim. Qualquer notícia ruim que ele quisesse dar, ele me agradava primeiro com presentes e o que mais eu quisesse.
- Que bom, cara! To começando a achar que algum plano seu vai dar certo.
- Mas escuta o que eu to te falando que vai dar certo. Você precisa parar de correr atrás dela. 
- Harry, se eu fizer isso ela vai simplesmente me ignorar.
Já estavam entrando na sala e Harry sorriu de lado.
- Tem muito o que aprender, pequeno gafanhoto.
Escolheram os lugares e logo depois Tom entrou carregando Thalia em uma cadeira de rodas. Aquela visão fez o coração do Harry disparar.
- Meu Deus - murmurou e Doug olhou para a onde seus olhos apontavam.
- Nossa, foi sério mesmo, né?
Harry levantou e ajudou o Tom a afastar o banco para conseguir encaixar a cadeira de Thalia na mesa. Ela sorriu fraco pra ele e Tom olhou desconfiado. Logo a professora entrou na sala e aplicou um teste surpresa. Merda! Ao quadrado!





O dia passou bem rápido. Thalia estava ficando cansada das pessoas olhando horrorizadas, como se tivesse acontecido algo extremamente sério com ela. 
- Vamos, Tom?
Ele estava acompanhando a garota em todas as aulas, porque ela só conseguia girar a cadeira com uma mão e não dava muito certo. Batia na parede assim toda vez que tentava.
- Então, o que aconteceu?
Lia não entendeu a pergunta dele.
- Já te contei o que aconteceu, Tom.
Ele soltou o ar e sentou encostado no tronco da árvore. Podia ver as meninas de longe, vindo em nossa direção. Thalia sorriu pra elas e acenou.
- Thalia, quero saber o que aconteceu de verdade. Não essa historinha que você acha que eu vou engolir.
A menina suspirou. O pouco que conhecia o Tom, sabia que não adiantaria discutir com ele. Ele já sabia.
- Eu estava ensaiando com o Harry. Ensinando ele a dançar.
Ela viu suas mão fecharem com força.
- Por que? - ele não olhava para ela. 
- Porque ele pediu ajuda. Disse que não queria passar vergonha no casamento da irmã.
Ele apertou mais o punho e fechou os olhos.
- Ele estava lá quando você foi pega?
- Sim. Eu mandei ele ir embora. Não queria que ele fosse pego. Ele não pode tomar mais nenhuma advertência e... Onde você ta indo?
Ele não deixou que ela terminasse. Levantou e caminhou até a sua Torre enquanto Lia tentava inutilmente segui-lo.
- Eii, parada aí - Florence falou e segurou Thalia, impedindo-a de levantar da cadeira.
- Tá maluca? - Soph perguntou.
- Eu, Tom, ensaio, Harry, brigar.
- Tom vai brigar com Harry?
Só Sophia conseguia entender o que Thalia falava quando ficava nervosa. Impressionante. Elas carregaram a amiga até a Torre dos meninos, ignorando o regulamento e perguntaram pro Doug no caminho onde era o quarto dele.
- Tom, para!
Soph gritou de longe enquanto Harry abria a porta e Tom dava um soco na cara dele.
As três fecharam os olhos com força e quando Thalia os abriu  já estavam perto dos dois.
- Tom, para, vamos sair daqui.
Ele fitou Harry por alguns minutos e riu. Riu não, gargalhou.
- Por que você fez isso? - Flor puxava ele pela camisa, mas ele não saia do lugar.
- Ele não tem irmã, Thalia. 
E foi embora. Tom jogou essa bomba e foi embora. Florence foi atrás dele e Sophia deu um passo à frente. 
- Soph, não - Thalia segurou o braço da amiga.
Ela sabia que ele não merecia nem o tapa que Sophia queria dar. Tentou sair com a cadeira de rodas, mas só conseguiu deixar sua saída ainda mais humilhante quando praticamente andava em círculos. Soph assumiu o comando e Thalia não olhou pra trás. Se olhasse, Harry teria visto a lágrima que caía solitária pelo seu rosto.



Sophia estava odiando cada vez mais o Poynter e seus amiguinhos. Depois do que eles fizeram com Thalia, ela surtou. Lançava olhares fuzilantes para eles ao passar. O resto do grupo também tomou as dores da amiga. Só falavam com o Danny e ainda só porque Lia gostava muito dele.

- Olha, Soph - Flor chamou, um pouco à esquerda da menina - vai ter uma festa.
- Festa? - seus olhos brilharam e ela logo esqueceu a raiva que sentia.
- Não estou com vontade de festa - Lia suspirou em sua cadeira de rodas.
- Você não está entendendo, Thalia. Essas festas são famosas - Sophia que sempre comentava o quanto queria ir à uma festa do colégio, falou - elas saem em notas de jornais locais. De tão boas que são.
Thalia só deu de ombros e leu o aviso sobre a festa.
- Quem em sã consciência ia querer me levar para uma festa na cadeira de rodas e toda engessada? - ela perguntou ao ver que precisaria de um par.
Fazia apenas duas semanas que Thalia tinha se acidentado e a festa aconteceria em uma semana e meia.
- Até lá você já tirou isso, sua boba - Flor lembrou.
- Eu concordo com a Lia. Não estou a fim de festas - Tom, que tinha ficado azedo desde que dera um soco no Harry, falou.
- Vocês estão muito desanimados.
- Concordo com a Flor. Sei que tudo que aconteceu foi chato, mas bola pra frente. A vida continua. Ê ê.
Essa era a nova mania de Sophia: ê ê.
Thalia revirou os olhos e pediu para o Tom empurrar sua cadeira.
- Vou pensar sobre isso - disse apenas e se afastou com o amigo para a próxima aula.


- Tá vendo - Doug reclamou com Harry, como sempre - se você não tivesse estragado tudo como sempre, eu poderia chamar a Sophia para a festa.

- Nem vem que isso não foi minha culpa. Foi você quem estragou tudo em Cancun.
Danny logo apareceu enquanto os dois conversavam.
- Cara, o que aconteceu? - Harry perguntou.
Danny apenas olhou para o amigo e balançou a cabeça.
- Fala alguma coisa - Doug sacudiu o amigo.
- Ela... Ela vai sair.
 Harry e Doug se entreolharam e franziram o cenho ao mesmo tempo.
- Danny, respira e fala coisa com coisa. Não consigo entender o que você ta dizendo.
- A Sam. Ela vai sair do colégio - ele ainda estava completamente atônito quando Bela passou correndo por nós, com Sam em seu encalço.
- Mas por que? - Doug perguntou.
- O pai dela vai ser transferido. Para os Estados Unidos.
Dougie arregalou os olhos e sugeriu que os três matassem aula no Centro. Era uma boa forma de distrair o Danny.


- Por que você só me contou agora? - Bela perguntou em meio as lágrimas.

- Porque só fiquei sabendo agora, Bela.
Sam também chorava e agora abraçava a melhor amiga de infância.
- Eu não acredito que você vai me abandonar aqui. Eu não falo com ninguém além de você. Só ando com os meninos por você. Quando você vem me visitar?
Sam sorriu. Bela costumava falar sem parar quando estava nervosa.
- Venho assim que der. E prometo que a gente vai se falar todo dia.
Sammy não era uma garota má com todo mundo.
- Eu te amo, Sam.
- Te amo também, Bela.
Elas tornaram a se abraçar e antes de voltarem para a aula, Sam prensou os lábios e sorriu.
- Não acredito que vou dizer isso, mas tem uma pessoa que com certeza ia gostar de ser seu amigo aqui.
- Quem? - Bela esfregou os olhos, deixando uma mancha preta do rímel.
Sam pegou um lenço e limpou a mancha antes de responder.
- O Fletcher.



Danny nem lembrava mais que a Sam sairia do colégio. A distração dos amigos realmente funcionou.

- Caraca, você não vai ter quem levar na festa - Dougie comentou e levou um tapa no pescoço do Harry.
- Boa, babacão.
- Verdade - Danny pareceu pensar, lembrando o motivo que o fez sair do colégio hoje - Mas quem vocês querem chamar?
 - Sophia - Doug logo respondeu, dando de ombros.
- Esquece, cara. Ela não vai com você. E não sei ainda quem levar.
- Que tal a Thalia? - Doug riu e Danny olhou desconfiado.
- Thalia não iria como Harry. E só a nível de informação, eu devo chamá-la.
- Acabou de descobrir que a peguete vai mudar de colégio e já ta buscando estepe? - Doug provocou.
- Eca, que nojo. Eu nunca ficaria com a Thalia. Quero chamá-la como amigo, oras.
Harry pareceu relaxar os ombros e Doug riu do amigo mais uma vez.


- Tom, vai comigo, por favor? - Flor implorava.

- Não, ele vai comigo- Sophia puxou o braço esquerdo do Tom, enquanto Florence puxava o direito, ameaçando cortá-lo ao meio.
Thalia rolou os olhos do seu jeito típico e tentou acalmar as amigas.
- Por que as duas não vão com o Tom?
- Por que o Tom não pode decidir? - Ele mesmo perguntou, já se irritando.
- Ok, Tom - Sophia largou o braço dele e colocou as mãos na cintura - Com qual de nós duas você vai?
Ele olhou de uma a outra e balançou a cabeça em negação.
- Nenhuma das duas.
Elas se entreolharam embasbacadas e acreditavam que o amigo estivesse brincando.
- Sério, Tom - Flor riu - quem?
- Eu tenho a intenção de chamar outra pessoa sem ser uma das minhas duas amigas insanas. Se ela recusar, penso no caso de vocês.
E saiu andando.
- Ei, espera - Thalia gritou, mas ele não virou.
- "Penso no caso de vocês" - Sophia imitou a voz do Tom - Sério, isso é brincadeira, né?
Florence deu de ombros.
- Então, quem vai me levar? - Thalia perguntou.
- Ai Lia, não vou à festa com outra garota, né? - Florence respondeu, chocada e Thalia riu.

- Não - ela sacudiu a cabeça - quem vai me levar pra aula, já que o Tom saiu andando - e levantou o braço pra mostrar que não poderia manejar a cadeira de rodas.