Foi muito fácil para Thalia sair do dormitório do meninos. Difícil foi o Doug conseguir a mesma proeza.
Thalia entrou no quarto com uma bermuda de menino e uma camisa larga. Um boné na cabeça tentava manter seus cabelos loiros escondidos.
- Que legal, consegui sair sem problemas do quarto deles, mas pra entrar aqui foi um sufoco.
Ela foi falando ao tirar o boné e percebeu que Doug ainda estava no quarto.
Sophia parecia constrangida e Doug um pouco desesperado por não ter como sair.
- Anh.. desculpe. Não sabia que ele tava aqui ainda - Thalia fez menção de sair, mas Sophia lançou um olhar que beirava uma ameaça de morte, caso ela o fizesse.
- Me ajude a sair - Doug implorou.
- Ok, vou pensar.
Os três ficaram juntos tentando bolar uma forma de distrair o inspetor do dormitório feminino, pra que Poynter passasse despercebido.
- Tá - Sophia concordou, quando Thalia disse o plano que tinha pensado - Isso pode dar certo.
- Acho muito arriscado - Doug suspirou - Mas não tenho muita escolha.
Assim que Sophia saiu do quarto pra executar o combinado, Thalia se arrependeu. De repente aquele parecia o plano mais idiota do mundo.
- Sabe, gostei desse porquinho da índia - Doug falou pra quebrar o gelo, enquanto Thalia levantava pra ir ao banheiro. Sophia ligaria pra um dos dois quando fosse a hora de sair.
- É, Noel é legal - e fechou a porta do banheiro.
Lia se sentia um lixo e queria desesperadamente tomar um banho, mas sabia que não teria tempo por enquanto.
- Doug - ela gritou do banheiro - fique com o celular perto, e pegue o meu também.
Quando ela saiu do banheiro, Doug estava com uma cara engraçada.
- O que foi agora, cara?
- Eu... foi sem querer.. - ele gaguejou - Você pediu pra pegar o telefone e eu me distraí.
Imediatamente Thalia olhou para a gaiola branca no chão do quarto.
- Onde está o Noel, Doug? - ela olhou séria pra ele, com medo da resposta. Ele simplesmente apontou para a janela aberta.
Antes que ela pudesse falar qualquer coisa, Sophia ligou, indicando que já tinha completado a sua parte e que eles tinham menos de três minutos pra descer.
- É o sinal - Thalia apontou para o celular - Vem logo!
- Você tinha que ver a cara do inspetor quando chegamos na árvore que eu tinha indicado e não tinha gato nenhum - ela ria, com o rosto inchado e vermelho - aí eu comecei a chorar, dizendo que tinham pego o gato, que ele tinha caído e morrido.
- Você não presta, Sophia - a amiga riu baixo, ainda pensando em como diria pra amiga que o seu porquinho-da-índia tinha fugido.
Eles tinham permissão de sair aos finais de semana, por isso Thalia logo inventou de almoçar fora, a fim de não deixar Sophia notar o sumiço do Noel. Ela fechou a porta da gaiola e só deixou a amiga tomar banho e se arrumar, e fez o mesmo.
- Mas conte, como foi ontem?
- Você quer dizer depois que me trancaram no meu próprio quarto, com o Dougie?
Thalia assentiu envergonhada.
- Bom, foi simplesmente... - ela fez uma pausa, balançou a cabeça em negação e em seguida abriu um largo sorriso - maravilhoso. Sério, a gente conversou sobre tudo, e quando ficamos cansados, ele deitou ao meu lado e dormimos. Ele não tentou me beijar. Ele não tentou esse tipo de aproximação física.
Lia conseguiu suspirar aliviada, mas logo se retesou ao pensar que o fato de Doug ter deixado o bichinho de estimação de Sophia fugir poderia acabar com qualquer pensamento feliz que ela pudesse ter a respeito dele.
No que fui me meter? - pensou Thalia.
- Mas e você? Não dormiu no quarto, pelo visto...
Sophia deixou no ar, esperando que a amiga continuasse e matasse a sua curiosidade.
- Pois é, né? Tive que dormir no quarto do Tom e do Danny. Sabe, se me descobrissem eu ia me meter em uma furada.
- Desculpa - Sophia pediu, dando de ombros - é que eu fiquei com sono.
- Aham, sei...
Mas Thalia não estava brava com a amiga. Elas logo chegaram ao centro e escolheram o restaurante que queriam almoçar. Mas é claro que o destino tinha que brincar com elas. A famosa Lei de Smurf - segundo o Doug. Quem estava lá também? Ah sim, os quatro amigos.
Os meninos chamaram as duas para sentarem à mesa com eles. Elas aceitaram e o clima ficou um pouco estranho porque Doug estava completamente sem reação ao ver Sophia por lá, mas ela não pareceu perceber. Thalia sentou ao lado do Harry, que insistia em chegar bem perto e colocar sua mão sobre a dela por baixo da mesa. Todas as vezes que fazia isso, ela corava, mas não tinha vontade de tirar sua mão do lugar. Sentia o suor frio e quando ele separava suas mãos, ela implorava mentalmente que ele a encostasse novamente.
- O que vamos fazer hoje? - Danny perguntou, distraído.
- Bom, podíamos patinar no gelo, que tal? - Tom sonhador respondeu.
Ainda era começo de Novembro e ainda não nevava, então eles foram a um ringue de patinação. Tom mal podia esperar pelo Natal, dizia ele, que era o seu feriado favorito. Que quando criança ele era um gordinho feliz que fazia biscoito pro papai noel e colocava perto da árvore de natal com um copo de leite. Mas ele nunca confessou para os seus pais que era ele que sempre comia antes de amanhecer.
Enquanto os outros olhavam as lojas e contavam histórias da infância, Thalia puxou Doug discretamente para andar mais atrás com ela.
- O que você vai fazer?
- Não conta pra ela, por favor - ele implorou, desesperado.
- Ah, e você acha que ela não vai reparar que o porquinho sumiu? - Thalia sussurrou de volta.
- Eu não sei o que fazer. Se ela descobrir isso, vai me matar.
- Sim, ela vai - Lia disse simplesmente e deu de ombros. Dougie jogou a cabeça pra trás e gemeu.
- O que eu faço?
- Por que não compra outro pra ela? - ouviram a voz do Harry, e olharam pra trás, dando de cara com ele.
Thalia congelou e prendeu a respiração.
- Boa ideia - ele deu um tapa nas costas do amigo - Lia, invente uma desculpa pro meu sumiço - Doug pediu e logo se afastou dos dois.
- Ótimo - Thalia falou pra si mesma.
- Você é uma boa amiga, sabe? - Harry usou um tom que ela nunca tinha escutado antes. Um tom de admiração.
- Como é?
- Sabe, com o Doug. Você corre o risco de brigar feio com a Sophia, mas ainda não contou pra ela que Doug deixou o bicho dela fugir. Você dançou com o Danny mesmo sabendo que ele pisaria no seu pé milhões de vezes. Você fez o favor pro Tom, só pra ele ficar bem com a Bela. Você não abandonou sua amiga quando ela levou um bolo do Drake na festa. E principalmente - ele agora fez com que ela parasse de andar, olhando diretamente em seus olhos - porque você nunca me entregou naquele dia. No dia em que você se machucou. Você nunca me entregou.
Thalia fechou os olhos, saindo da hipnose que aquele olhar causava nela. Balançou a cabeça com força, mas não conseguiu se segurar.
- Com você foi diferente, Harry.
- Por quê?
- Porque você nunca foi meu amigo. Você não é meu amigo, Harry. Eu simplesmente não consigo te ver dessa forma.
- Que bom - ele disse rapidamente - porque eu não quero te ver dessa forma. Eu quero te ver como algo muito além de uma amiga, sabe por quê?
Thalia sentia que se ficasse ouvindo aquilo, logo as lágrimas começariam a rolar em seus olhos, e ela insistiu para que ele parasse.
- Por favor, Harry, não fala mais nada.
- Não, Thalia, me escuta.
Ele segurou em seu rosto e estava tão perto que suas respirações estavam entrecortadas. Um vento gelado passou e ela estremeceu, mas isso não foi o suficiente pra afastar o calor que ele emanava.
- Harry - sua voz saiu rouca e ela sentia um nó se formar na sua garganta.
- Thalia, eu não quero ser seu amigo. Eu quero que você seja...
O que ele ia dizer, Thalia nunca ficou sabendo. Porque nessa hora foram interrompidos pela Bela, que vinha correndo falar com os dois e em seguida com Soph, Tom e Danny. Thalia soltou-se das mãos do Harry e ele ficou com as mãos erguidas, segurando o ar. Judd suspirou e logo abaixou as mãos, sabendo que esse não seria o momento em que ele diria como se sente. Em parte, ele agradeceu, porque apesar de parecer muito confiante, ele estava desesperado com a possibilidade de Thalia se assustar com o que ele tinha pra falar e não querer tocar mais no assunto.
- Trouxe ele? - Lia perguntou ao Doug enquanto a amiga estava no banho.
- Aqui - ele sussurrou e tirou uma caixa de sapato toda furada de uma sacola. Quando ele abriu, Thalia bateu no ombro dele.
- Seu retardado, esse porquinho nem parece com o Noel.
- Mas era o único que tinha na loja, Thalia. O que eu ia fazer?
- Ah, não sei, deixa eu pensar - Lia fez uma cara fingida de pensativa - contar a verdade pra ela, talvez?
Ela ergueu as sobrancelhas e um aumentou pouco o tom de voz, o que fez Sophia desligar o chuveiro.
- Falou algo? - ela gritou do banheiro, enquanto Lia fazia gestos pro Doug sair do quarto.
- Não!
Doug colocou o porquinho da índia dentro da gaiola e Thalia se descontrolou.
- Tira isso daí!
- O que tá acontecendo? - Sophia apareceu de toalha na porta do banheiro e encontrou uma Thalia abaixada, tentando tirar um porquinho da índia de dentro da gaiola do Noel. Doug estava mais vermelho que um tomate e também tentava desajeitadamente tirar o bichinho de lá.
- Oi Sophia - ele cumprimentou, sem jeito.
- O que está fazendo aqui? - ela arqueou uma sobrancelha e deu um passo a frente, lembrando que estava de toalha, voltou para o banheiro.
Depois que Sophia trocou de roupa o mais rápido possível, ela voltou, sentando-se na cama, com um semblante curioso, que Thalia nunca tinha visto.
- Explique-se.
Ela falou somente, mas não olhava para o Doug. Ela olhava diretamente pra Thalia, e amiga não soube o que responder.
- Como assim?
Ela não se fez de desentendida. Ela realmente não entendia o que estava acontecendo.
- O que está acontecendo?
- Eu... eu não sei o que aconteceu - Thalia gaguejou - Só olhamos na gaiola e ele não estava mais lá.
Sophia franziu a testa e olhou para a gaiola. Aparentemente ela não havia percebido que Noel tinha fugido.
- Vocês dois não estão se encontrando às escondidas?
- Do que você está falando? Tá louca?
E assim Doug tomou coragem pra contar o que tinha acontecido.
- Dougie Lee Poynter - Sophia falou com firmeza e Thalia ficou feliz por não ser com ela - Não ia me contar que o meu porquinho tinha sumido? Por sua causa?
- Des... desculpe - ele abaixou o olhar para os pés, com medo da garota.
- Olha pra mim - ela ordenou e ele o fez - Não vou ficar triste com você. Mas por favor, não me esconda nada.
Thalia e Doug olharam aterrorizados para Sophia. Definitivamente não esperavam essa reação dela. Ela abaixou e pegou o porquinho da índia que estava na gaiola, virando de barriga pra cima.
- É fêmea. Qual nome vamos colocar em você, ein? Que tal Nina? - ela olhou pra Thalia, que deu de ombros - Nina, então...
Doug saiu do quarto e Sophia chorou de soluçar.
- O que acabou de acontecer?
- Era o meu... meu bebê fugiu.
- Mas você acabou de...
Thalia não conseguiu terminar a frase porque Sophia chorou mais ainda. Quando conseguiu parar, finalmente esclareceu.
- Eu gosto do Doug. A gente teve um momento bom aqui no quarto ontem. Não quero que tudo estrague por causa de um erro bobo. Com consequências horríveis, mas um erro bobo.
Então Sophia terminou de falar e levantou. Foi até o banheiro e lavou o rosto, ficando instantaneamente linda novamente.
- Preciso ficar sozinha - Sophia anunciou e Thalia esperou que ela saísse do quarto. Mas como não o fez, Lia levantou e foi até a porta, certificando-se de que Sophia ficaria bem. E então caminhou pelo jardim até encontrar com Harry.
- Você veio - ele disse simplesmente, sorrindo pra ela.
Thalia assentiu. Ainda não tinha certeza do que ele queria, mas havia enviado um sms pra ela, pedindo que fosse até o jardim.
- Bem, eu pedi pra você me encontrar aqui porque queria te propor algo...
Ela nada disse, apenas pressionou os lábios com força e assentiu pra que ele continuasse.
- Meu aniversário está chegando. Sei que já está muito perto, mas meu pai simplesmente falou em cima da hora - ele balançou a cabeça, percebendo que estava perdendo o foco - Enfim, eu queria te chamar pra ir à Disney comigo.
- Pra... Como... o quê? - foi a resposta genial que Thalia conseguiu dar.
- Meu pai - Harry explicou - disse que daria uma viagem pra mim e para os meus amigos de aniversário. E que seria na Disney.
Os olhos de Thalia estavam tão arregalados que Harry tinha vontade de rir.
- E eu quero chamar você. Na verdade, vou chamar meus amigos, Doug, Danny, Tom, Bela, Sophia, Flor e você.
- E desde quando Sophia e Flor são suas amigas? - foi tudo o que ela conseguiu perguntar. Ele riu.
- Então admite que você é minha amiga?
- Achei que você tivesse dito que... - não me quer como sua amiga, ela quis continuar, mas se conteve. Não queria parecer atirada.
Harry conteve um sorriso convencido. Aparentemente ela tinha tocado em um ponto importante.
- O que me diz? - ele perguntou, com aquele sorriso que fazia Thalia querer arrancar os olhos, para não ser seduzida por ele.
- Não acho uma ideia muito válida... - ela pareceu pensar.
- Eu prometo que será divertido, Thalia. Você vai gostar. Eu aposto que vai.
Ele piscou pra ela, que enrubesceu.
- Eu vou... eu preciso ver com meus pais - o que esse garoto fazia que deixava Thalia tão nervosa?
- E com seus amigos. Fale com seus amigos também. Meu pai comprará tudo em três dias. É o prazo máximo da resposta. E por favor - ele tocou seu rosto antes de falar - pense com carinho.
Thalia entrou no quarto enquanto Sophia falava ao telefone com seu pai. Ela estava em estado de choque. Soph percebeu e logo desligou o celular, arregalando os olhos para a amiga.
- O que aconteceu?
Thalia murmurava, mas só saía um som gutural. Ela sacudia a cabeça de um lado para o outro, sem conseguir focar em nada.
- Thalia - Soph gritou - Foco! Agora me diz o que aconteceu?
- O Harry, ele...
- O que? - a amiga arregalou mais ainda os olhos, ajudando a Thalia a sentar na cama - Me conta, vaca, o que tem o Harry?
Lia não sabia se ficava mais assustada com o convite do Harry ou com sua amiga chamando-a de vaca. Mas Sophia apenas balançou a mão em desdém e esperou uma explicação.
- Chamou a gente pra... pra viajar.
- Viajar? Como assim?
- Aniversário dele. Pai vai bancar tudo. Chamou a gente.
Ela falava as frases pausadamente, como se estivesse em uma espécie de transe.
- Ah, não é pra tanto, vai? - ela falou, batendo no ombro da amiga - Mas pra onde vamos?
Thalia focou os olhos da amiga e sussurrou:
- Disney.
Ficou difícil saber quem surtaria primeiro após aquela notícia. Soph imediatamente pegou seu celular e simplesmente rediscou o último número: seu pai. Thalia não prestava atenção no - para ela - monólogo que se desenrolava.
- Ele deixou - Sophia começou a gritar loucamente, enquanto fazia mentalmente as contas de quantos dias tinha pra arrumar as malas - Por que não está gritando comigo?
Ela parou e olhou pra Thalia, que ainda estava sentada em sua cama.
- Porque não sei se vou poder ir...
- Como não? - a cor pareceu sumir do rosto de Sophia - Calma, você disse que o pai dele ia pagar, nao é? Ou será que eu deduzi isso é tudo mentira? Ai meu Deus - ela colocou as mãos na cabeça - Meu pai vai me matar se não for de graça...
- Sossegue, Sophia! - Thalia revirou os olhos - E sim, o pai dele vai pagar tudo. Mas é que... como vou pedir algo tão grande quanto isso para os meus pais? E por telefone!
- Thalia, isso é simples. Vou te ensinar - e então ela pegou o telefone e passou para a amiga, sem discar nada - Agora você encosta na orelha. Vai! Isso. Agora promete horrores. Diz que vai tirar notas boas aqui na escola. Diz que vai manter seu quarto arrumado, sei lá. Que vai lavar a louça por um mês. Não vai ser difícil de convencer, cara. Mas o principal, diz que o pai do Harry vai bancar tudo. Nem uma moedinha sairá do seu bolso. Quero dizer, a não ser que queira comprar algo lá, o que é claro que vai querer e...
Sophia continuou tagarelando, mas Thalia já não ouvia mais. Devolveu o celular pra ela e começou a caminhar em direção à porta do quarto. Agora era ela quem precisaria ficar sozinha.
- Oi Carol, tudo bem? - ela não ensaiava, mas falava de verdade com sua mãe adotiva.
- Oi querida, como vai? Está ligando cedo. Aconteceu alguma coisa?
Thalia fechou os olhos. Não sabia se era corajosa o suficiente pra pedir isso. Mas antes que mudasse de ideia, seguiu em frente.
- Uhum. Então, um menino aqui vai chamar os amigos dele pra uma viagem - ela pausou, esperando alguma reação do outro lado da linha, mas ela não veio - e eu fui uma das convidadas. É aniversário dele. Na... na Disney.
Carol engasgou, mas logo se recuperou.
- Querida... - ela não sabia por onde começar.
- O pai dele vai bancar a viagem. Hotel, passagens, parques, refeições... tudo isso vai sair de graça - Harry não chegara a explicitar tanto assim, mas ela imaginou que fosse mais ou menos isso.
- Quando? - Carol perguntou e Thalia praguejou por não ter se dado o trabalho de perguntar a data.
- Preciso responder em três dias, porque é quando o pai dele vai comprar tudo - desconversou.
- Entendo - mas ela não parecia entender - Querida, vou conversar com George e nós te daremos uma resposta amanhã - ela já parecia saber a resposta, mas não sabia como dá-la - E quem vai como um adulto responsável?
Thalia nem pensara nisso. Como se esquecera dos detalhes mais importantes? Mas se bem que, o pai de Sophia havia deixado com a maior facilidade. Por que Carol não podia ser assim também?
- Er... eu não... eu não sei.
- Meu anjo - a voz dela era um pouco mais tranquila agora - Por que não pega todas as informações e me passa ainda hoje?
- Ok.
- Tenha um bom dia, tá? Eu te amo, beijos.
- Beijos, te amo também.
Como sou idiota - pensou. Será que conseguiria ir nessa viagem? Vontade não lhe faltava. Percebera que qualquer contato a mais com Harry era vantagem pra ela. E como precisava de informações, mandou uma mensagem de texto pra ele.
"Quando? Quem é o adulto responsável? Quanto tempo?"
A mensagem não demorou a ser respondida.
"19 de Dezembro. O pai do Danny se ofereceu pra ir. Cinco dias. Ficou interessada?"
Thalia achou desnecessária a última frase, portanto não se deu nem o trabalho de responder.
Mas sim, ela havia ficado interessada. Ela gostava de tudo que estava relacionado ao Harry, mas não admitiria isso nem para o seu próprio reflexo.
- Eu posso dizer que eu estou surtando?
Sophia sorria, se deliciando com cada segundo daquela viagem. Thalia já se arrependia de ter pedido aos seus pais pra ir. E de ter insistido, já que eles não queriam deixá-la ir. Mas no final acabaram cedendo.
As semanas que antecederam o aniversário do Harry passaram lentamente e só serviram pra que os meninos ficassem mais ansiosos. Mas já no avião, Thalia se perguntara se não era um erro e segurava com tanta força o braço da poltrona que os nós dos seus dedos estavam brancos.
- Primeira vez, né? - Lia assentiu - Nunca me senti assim.
Sophia passou por ela dando de ombros, ao ir ao banheiro. Thalia suspirou e esperou que Tom sentasse ao seu lado, como combinado. Mas ao invés disso, Harry se acomodou no assento, assustando-a. Ela olhou para trás e percebeu que Tom se encolhia ao lado de Bela.
- Conseguiu uma proposta melhor - Harry olhava para a mesma direção que ela.
Sophia estava sentada com Florence, Dougie com Danny. Mas todos sabiam que aquela organização não permaneceria por muito tempo.
Thalia ainda estava calada e evitava ao máximo falar com Harry, que havia desistido de tentar puxar assunto e agora dormia com a cabeça em seu ombro. Por mais que quisesse tentar algum tipo de aproximação, seu pavor por estar em um avião não deixava as coisas mais fáceis.
"Senhores passageiros, estaremos passando agora por uma pequena área de turbulência. Voltem aos seus assentos e coloquem os cintos."
Era isso que uma voz dizia ao alto-falante e o pânico começou a tomar conta de Thalia. Harry, que tinha acordado com o anúncio, olhou pra ela com cautela.
- Está com medo da viagem?
Lia assentiu.
Ele então tirou sua mão quente debaixo do cobertor e segurou a mão gelada de Thalia, que ainda apertava o assento. Ela foi obrigada a relaxar, mas assim que a turbulência começou, ela se assustou novamente.
- Calma. Eu to aqui, ta?
Parecia idiota, já que se o avião caísse, não teria nada que o Harry pudesse fazer por ela. Ainda assim, Thalia relaxou. Agora ela repousava a cabeça no ombro dele enquanto sentia sua mão firme não permitir que a dela tremesse.
- E o pai do Danny? - Thalia se obrigou a perguntar - Ele não ia vir também-
- Ah, ele já está lá. Foi ontem.
- Por quê?
- Meu pai resolveu que sairia mais em conta alugar uma casa ao invés dos quartos do hotel, então o Sr. Jones veio mais cedo pra resolver isso.
Finalmente o avião pousou e Thalia conseguiu relaxar. Quando foi sair do seu assento,Harry ajudou-a, entregando sua bagagem de mão.
- Obrigada - ela agradeceu, colocando uma mecha solta atrás da orelha - E... anh... obrigada por me acalmar.
- Foi um prazer - ele disse com sorriso nos lábios.
Ela rolou os olhos e deu um empurrão nele, também sorrindo.
- Menos, Harry. Bem menos.
- Ei vocês dois - Danny chamou - Será que dá pra pararem de namorar e vir logo?
Thalia riu e apontou para Doug e Sophia, logo depois para Danny e Flor.
- Sabia que eles iam sentar juntos.
- Para com isso, Thalia - Sophia sorriu.
- Ok - Flor falou baixo, mas todos conseguiram ouvir - Será que dá pra gente parar de gritar aqui no avião?
- A gente vai ficar nessa casa? - Sophia perguntou para o Harry, que deu de ombros.
Estavam ainda descendo do táxi com as bagagens, mas já dava pra perceber que a casa era imensa. Ela tinha logo na entrada um jardim bem cuidado, uma piscina em que caberia um T-Rex deitado.
- Finalmente chegaram - Sr. Jones falou, saindo da casa e pegando as malas da Soph.
Eles entraram e levaram as malas para o andar superior. Fizeram uma rápida divisão de quartos ( Flor com Bela, Soph com Lia, Danny com Tom e Harry com Doug) e logo desceram para conhecer o resto da casa e o Sr. Jones. Danny foi apresentando as meninas para seu pai. Quando ele olhou para Thalia, arregalou os olhos.
- Ágatha?
- Quem?
- ÁGHATA - ele berrou e chegou mais perto de Thalia.
- Meu... meu nome é Thalia, Sr.
- Não - de repente seu olhar pareceu insano e ele tocou o rosto de Thalia, que recuou assustada - Você... você parece com ela...
Ele sacudiu a cabeça e saiu do aposento, deixando oito adolescentes assustados e uma Thalia apavorada.
- O que ele... o que aconteceu? - ela conseguiu perguntar, olhando para Danny, que estava claramente envergonhado.
- Não sei, Lia. Desculpe.
Ela estremeceu e esfregou aonde o Sr. Jones havia tocado.