Capítulo 3

Graças a Deus chegou o dia em que Thalia estaria livre do gesso e da cadeira de rodas. Ela perdera muitas aulas de dança e precisava se empenhar muito para acompanhar as turmas. No final de semana anterior à festa, teve uma pequena comemoração de despedida para a Sam. As três amigas fizeram questão de não comparecer. Estranhamente o Tom foi. E ele havia pedido à Bela que fosse à festa com ele, e - pasme - ela aceitou. Ele estava muito feliz e ela agora sempre acenava timidamente em sua direção ao passar por ele.
- E aí, Lia? Quer ir à festa comigo?
- Eu não ia a essa festa, mas já que é pra ir com você, eu vou sim.
Thalia e Danny combinaram onde se encontrariam para irem à festa juntos. Sophia acabou aceitando o convite de um veterano apaixonado e Florence decidiu ir para a casa dos pais no dia da festa. Ela só queria ir se fosse com o Tom ou - óbvio - o Danny, mas os dois já tinham par. Ela xingou até a nona geração da Lia por ela ter aceitado ir com o Danny.
- Desculpa - Thalia dizia sem parar - Nem pensei nisso. Quer que eu diga que não quero ir mais?
- De que adianta? Ele não me chamaria mesmo...
Ela dava de ombros e colocava seus fones. Algo estava errado com a Florence. Estava sempre escondida atrás de seus fones, evitando ao máximo falar com seus amigos.
- O que você acha que aconteceu com ela? -  Soph perguntava, mas Tom apenas dava de ombros. Estava muito ocupado ajudando a Bela com a organização da festa.






- Você vai comigo? - Lia perguntou para a amiga, que rolou os olhos.
- Você tá com medo de tirar o gesso?
- Se eu disser que sim, você vai rir de mim?
Mas Soph já estava rindo da Thalia, mas ainda sim elas foram juntas à enfermaria.
- Está feliz? - Soph não conseguiu deixar de sorrir ao ver a felicidade da amiga.
Thalia olhou para o próprio braço e reparou que estava completamente desproporcional, mais fino que o outro, mas isso não estragaria sua felicidade.
-MUITO! 
Ela berrou e saiu pulando e girando pelo pátio, onde acabou esbarrando e caindo em cima do Harry.
- Ai, mil perdões, eu... - mas então ela reparou quem era - Ah.. é você. Desculpe.
- Ei, você tirou o gesso - ele falou, tentando amenizar a situação e sorriu.
- Pois é. Tirei - ela falou sem jeito, porque aquele sorriso ainda mexia muito com ela.
Harry colocou uma mecha do cabelo dela atrás de sua orelha e ela corou.
- Preciso ir - levantou bruscamente, deixando o garoto com a mão no ar - A gente se vê.
E então ela puxou Sophia pelo braço, que gargalhava.
- Quer calar a boca? - falou irritada.
- Não mesmo! Cara, não acredito que você gosta dele..
- Eu não gosto - Thalia disse ainda mais irritada.
- Tá certo então - Sophia falava em meio às gargalhadas - E como se eu falasse que não gosto do Dou...
E então ela tapou a boca rapidamente, um gesto muito usado por Sophia, já que ela tinha mania de deixar as coisas escaparem.
- Meus Deus - agora Lia que ria - Você gosta do Poynter.
- Cala a boca - ela suspirou derrotada e caminhou calada até o quarto.







Era o dia da festa e todos estavam muito animados. Até Thalia que a princípio não queria ir, acabou se animando no final.
- Ok, preciso da ajuda de vocês.
- Olha quem precisa da nossa ajuda, Lia - Soph debochou enquanto Tom aparentava desespero.
- Pela sua cara não é nada bom. Desembucha.
Então ele contou como se ofereceu para ajudar a Bela com a organização da festa, já que a Sam tinha saído do colégio e deixado tudo nas costas da amiga. Contou também que a banda que tocaria naquela noite tinha acabado de desmarcar. Faltando quatro horas para a festa.
- Tá, mas você já falou pra Bela isso?
- Ainda não. Ela está no salão e tinha pedido pra eu resolver qualquer problema por enquanto. E eu simplesmente não sei o que fazer.
- Calma, Tom - Lia colocou as mãos no rosto do amigo e sacudiu levemente - A gente vai dar um jeito, né, Soph?
- Só se for agora, porque preciso me arrumar. Tenho salão marcado pra daqui a meia hora.
Thalia lançou um olhar feio à amiga, que se encolheu e olhou para as unhas da mão.
- Mas talvez eu não precise fazer a unha... - disse triste.
- Vou fazer o seguinte - Tom começou - Vou procurar uma banda disponível e se achar ligo pra vocês. E vocês façam o mesmo, mas pela escola.
Eles se despediram e Thalia e Sophia começaram a procurar alguém que tocasse em uma banda.
- Eu juro que se perder o horário do salão por causa do Tom eu me mato. Ou melhor, mato ele.
- Para de drama, cara.
- Não, você não está entendendo. O Drake, o garoto que vai me levar na festa, me adora. Preciso manter isso. É bom ter alguém que goste de você.
- É, ele realmente vai deixar de gostar de você por causa da sua unha...
Sophia parou de repente e segurou o braço da Thalia, fazendo-a parar também.
- A Bela já chegou. E está vindo na nossa direção. O que a gente faz?
- Oi Soph, oi Lia.
Desde que Sam saíra do colégio, Bela tinha começado a andar com a as garotas. No começo era estranho, mas elas perceberam que Bela era fácil de se gostar.
As duas responderam timidamente ao cumprimento e Bela arqueou uma sobrancelha.
- O que aconteceu?
- É que... - Lia começou, sem saber como terminar.
- A banda cancelou - Sophia despejou rápido, como se tirasse um band-aid.
- A banda o quê? Ai meu Deus, eu não acredito.
 Bela já ia colocar as mãos na cabeça, quando lembrou que estragaria o seu penteado. Ela continuou surtando enquanto as outras duas tentavam animá-la.
- Pensa pelo lado positivo, Bela.
- Que lado positivo?
Sophia pareceu pensar, como se não esperasse por essa pergunta.
- Essa festa vai ser lembrada pra sempre. " A festa que não teve banda" - Sophia fez mãos de Jazz, como se estampasse a frase no ar, Thalia enterrou o rosto nas mãos e Bela gemeu.
- Juro que às vezes, só às vezes, você poderia ficar quieta.
- Achei ofensivo, Lia - Soph fez sua maior cara de afetada e a amiga rolou os olhos, como de costume.
- Conseguiram? - Tom apareceu de repente, assustando a todas.
- Não - Bela choramingou e se jogou nos braços dele, que ficou sem ação, dando tapinhas tímidos nas costas dela. Enquanto isso suas amigas riam disfarçadamente e chegaram a emendar uma tosse na risada.
- Momentos como esses requerem medidas drásticas - Tom falou sombriamente e conseguiu capturar a atenção de todos.
- Pera - Lia deu um passo para trás, tentando decifrar sua expressão - O que você tem em mente?
Ela franziu o cenho enquanto Tom suspirava.
- Sabe, Doug toca baixo e Harry bateria. Danny e eu tocamos guitarra...
Ele deixou a frase no ar, esperando que as três fichas caíssem.
- Quer dizer que você... - Lia foi a primeira a falar - Você se reuniria com eles novamente pra salvar a festa?
Ele não respondeu. E o aquele silêncio incomodou Thalia.
- Você faria isso por mim? - Bela perguntou, com lágrimas nos olhos, enquanto Tom dava um breve sorriso para ela, assentindo de leve a cabeça.
- Ir ao baile com a Sophia ou com a Flor pra festa, nem pensar - Sophia falou com voz de deboche - Mas se reunir com caras que arruinaram a sua vida só por causa da Bela, tudo bem - ela sacudia a cabeça, indignada.
- Sabe o que eu te falei sobre ficar quieta às vezes, Soph?
- Sei.
- Esse era um bom momento pra você começar a fazer isso.
Sophia jogou os braços no ar e reclamou.
- Sabe, Thalia, não sei o que aconteceu com você não. Deus te fez boa, mas você se transformou em uma pessoa má...
E nesse momento, todos começaram a gargalhar.
- Sérios problemas, Soph - Tom começou - É isso que você tem.
 Lia enxugou uma lágrima enquanto parava de rir e olhou para o seu relógio.
- Bom, faltam duas horas para a festa. Se você tem a intenção de fazer com que eles aceitem, precisa pedir rápido.
- Pode deixar que eu peço, Tom - Bela se ofereceu, mas ele negou.
 - Vá se arrumar. Sei quem precisa fazer isso. Tem que ser uma pessoa pra quem eles não negariam.
E então ele olhou para Thalia, que imediatamente sentiu seu sangue gelar. Enquanto Bela se afastava, Thalia suplicava:
- Você não vai fazer isso comigo, Tom. Por favor.
- Lia, faz isso por mim, por favor.
- Eu não acredito.
Sophia, que parecia estar juntando as peças, arregalou os olhos e apontou para o Tom.
- Você é esperto. Se Lia pedir, Danny nunca vai recusar, porque é amigo dela. Doug é pela saco e Harry gosta dela.
- Harry não gosta de mim - Thalia deu ênfase na negação, mas desejou de todo coração estar errada.
- Por favor. Faço o que você quiser - Tom implorou - Lembrando que eu empurrei sua cadeira durante todo o tempo que você ficou mumificada aí.
Ele sorriu marotamente e fez cara de inocente, fazendo Thalia bater nele.
- Chantagista de araque. Se soubesse que aquilo que estava fazendo era um favor, ficaria dando voltas e batendo com a cara na parede.
- Só para constar, eu empurraria sua cadeira de graça, Lia - Soph levantou a mão, como se estivesse na sala de aula e precisasse de permissão para falar.
Thalia riu da amiga e deu um abraço breve.
- Tudo bem, Tom. Eu faço isso. Mas preciso de pelo menos quarenta minutos pra me arrumar, então vamos logo.
- Já perdi o horário da minha manicure mesmo... - Soph deu de ombros, trazendo à tona sua frustração e seu medo de que Drake parasse de gostar dela.



- Harry, er... Eu preciso falar com você.
Sophia tinha ido terminar de se arrumar e Tom e Thalia foram até o quarto que era dividido por Harry e Doug para falar com os meninos. Os olhos do garoto brilharam, mas logo se estreitaram de desconfiança.
- O que o Fletcher faz aqui?
Ainda estava receoso desde o soco que tinha levado e se afastou um pouco do batente da porta.
- Vim em paz, cara - Tom chegou pra trás também e levantou as mãos, em rendição.
Thalia explicou brevemente o que tinha acontecido, tentando não parecer desesperada, mas insistia em olhar o relógio no seu pulso.
Harry pareceu pensar e olhou para os outros dois que já estavam no quarto.
- O que acham?
- Eu topo.
Danny quase gritou e abraçou a Lia. Doug apenas deu de ombros. Harry tornou a olhar para a garota e fez um pequeno suspense. Ela precisava da ajuda dele. Ele poderia usar isso a seu favor.
- Beleza. Mas com uma condição.
Thalia apertou os lábios e assentiu, esperando que ele continuasse.
- Você vai cantar uma música com a gente. E vai dançar comigo.
Ela estreitou os olhos para ele.
- Você acabou de falar duas condições.
Tom deu uma cotovelada na garota, que reclamou de dor.
- Vai ficar roxo, sabe?
- Só aceita logo, Lia. Por favor - Tom suplicou e Thalia percebeu o quanto aquilo era importante para o amigo. Começou a duvidar se era só pela Bela e a festa ou se também queria ter o gostinho de andar com seus "ex amigos sem escrúpulos", como gostava de chamá-los.
- Ok - ela disse - Mas não vai ser música lenta.
- Vai sim - Harry esboçou um sorriso brincalhão e Thalia jogou a cabeça para trás.
- Ela aceita - Tom respondeu pela amiga.
- Ei - ela reclamou - Como assim eu aceito?
Mas Fletcher lançou aquele olhar de cachorrinho pidão e ela se rendeu.
- Ok, eu aceito - ela falou e começou a andar, parando apenas quando Danny gritou em sua direção.
- Então te vejo daqui a pouco, Lia - e sorriu, acenando freneticamente com a mão.
Ela sorriu de volta para o amigo, mas assim que virou novamente, falou baixo para o Tom:
- Você me deve uma. Uma não, várias.



O salão estava lindo como as meninas nunca haviam visto. O tema da festa era High School Americano. Parece meio idiota, mas na verdade a intenção era que ficasse como os bailes de colégio americano. Espalhados pelo salão, tinham detalhes dos filmes e seriados mais famosos com bailes. Carrie, a estranha; Programa de Proteção para Princesas, The O.C., Glee,.... Todos tinham um pedacinho na festa. Os alunos inclusive resolveram fazer uma votação para eleger o Rei e a Rainha da festa, trazendo excitação e nervosismo para as meninas que queriam desesperadamente ganhar.
- Isso é a maior bobeira - Sophia falou para a amiga - Tinham que ter avisado para que as pessoas se inscrevessem.
- Eu acho lindo - Bela suspirou - não acha, Lia?
Thalia só fez uma careta. Achava aquilo um pouco brega, mas não sabia como se sentiria ao subir em um palco e ter uma coroa colocada na sua cabeça. Ela se pegou imaginando a cena, ela como Rainha, e seu ao lado, Harry como Rei. Afastou rapidamente esse pensamento e fez novamente uma careta.

Danny estava super elegante, assim como os outros garotos e Thalia estava orgulhosa por ele ser seu par. Sabia quantas meninas adorariam estar em seu lugar e cruzar aquela porta de braços dados com Daniel Jones. Sophia parecia mais hiperativa que o costume e Bela estava encantada, como se não acreditasse que ela praticamente sozinha tinha feito tudo aquilo.
- Você está linda, Bela - Tom falou ao vê-la já no salão - Já ganhou como Rainha.
E sorriu. Aquele sorriso dele causou um formigamento estranho nela. Uma coisa que ela só tinha sentido uma vez na vida, e não tinha acabado muito bem. Ela sorriu de volta, encabulada e confusa.
- Lia, adorei seu vestido - Bela falou para quebrar o clima romântico, olhando a menina de cima a baixo.
- Obrigada, o seu está lindo também.
Thalia usava um vestido azul marinho com um modelo antiquado, mas que parecia estar voltando à moda. Ele tinha uma fita branca que demarcava bem a cintura dela.
- Você está linda, Lia - Danny copiou a frase do Tom, mas não foi romântico. Estava apenas sendo sincero.
- Você está muito bonito também - Lia retribuiu o elogio.
- Obrigada, gente - Sophia falou, olhando emburrada para os amigos - Vocês estão lindos também, obrigada por notarem em mim.
Ela estava linda também. Seu vestido rabo de sereia era vermelho paixão e quando ela andava, ele ondulava, fazendo um efeito impressionante e hipnotizador.
O par da Soph ainda não tinha aparecido e nem dado notícias, o que deixava a garota mais irritada a cada minuto que passava, garantindo risadas entre os outros quatro.
- Ainda bem que não gastei dinheiro fazendo a unha... - resmungou para si, mas Thalia ouviu e começou a gargalhar.
- Para de ser rabugenta e curte a festa.
- Pra você é fácil. Você não levou um bolo.
- Olha - Thalia apontou em direção ao palco - Vai começar o show dos meninos, vamos ver?
Mas na verdade ela não esperou por uma resposta. Puxou Sophia pelo braço e ficou bem perto do palco, onde conseguia quase encostar nos meninos.
- Não quero ficar aqui - Soph resmungou, puxando a mão da amiga na direção contrária do show que ia começar.
- Mas eu quero. E meu par está lá em cima - ela apontou para o Danny, que terminava de afinar a sua guitarra - Você não me deixaria aqui sozinha, deixaria?
Sophia suspirou.
- O que não faço por você, né?
E mais um vez Sophia ficou emburrada, mas conforme os meninos iam tocando, ela ia se animando um pouco mais. Era impressionante como eles eram bons juntos. As pessoas dançavam animadas e cantavam junto com o Danny e o Tom. Depois de umas cinco músicas, Tom anunciou ao microfone que eles fariam uma seleção das músicas favoritas dos Beatles. Gritos histéricos mostravam a aprovação da platéia.
- Pra cantar essa música com a gente, vou chamar uma pessoa da platéia.
Harry tinha saído da bateria e andava em direção a dezenas de garotas ansiosas e barulhentas. Ele parou na frente de Thalia e ela retesou o corpo. O braço dele esticou para que ela o segurasse. Alguns segundos se passaram, até que Sophia empurrou a amiga e Lia subiu ao palco com o auxílio do Harry.
- O que você está fazendo? - Thalia sussurrou para ele - você disse que eu poderia escolher a música.
- Mudei de ideia. Mas tenho certeza que você vai gostar dessa.
Thalia reconhecera as notas da guitarra. A música seria All my Loving.
Harry voltou para a bateria enquanto Thalia assumia o microfone do Tom e Sophia gritava escandalosamente o nome da amiga.

Durante a música inteira, Thalia conseguia sentir o olhar fixo do Harry atrás dela. Não foi fácil, mas ela se esforçou ao máximo para conseguir não virar em sua direção. Ela curtia a música, cantando e dançando com Danny e Tom, fazendo com que o Harry ficasse de lado em seus pensamentos.
Quando a música acabou e ela conseguiu descer do palco, Doug pegou o microfone.
- Gente, vamos tocar a próxima música e ir para um rápido intervalo. Aí o Rei e a Rainha serão coroados e voltaremos a tocar.
Mais gritos.
- Mas antes, quero dedicar essa música para alguém muito importante - Doug continuou - Soph, essa é pra você.
Eles tocaram From me to You e quase no final, Doug desceu do palco, esbarrando em um cara que carregava um copo de ponche, fazendo com que ele derramasse tudo em cima da Sophia, que até então estava apenas atônita. Sua mudança foi radical e logo seu rosto estava vermelho da cor do seu vestido.
- Sophia, eu... Desculpe - Doug falou, ainda com o microfone perto da boca.
- Soph - Lia correu atrás da amiga, que entrava no banheiro feminino.
- Inesperado - Thalia ouviu a voz do coordenador - Bem, isso foi... Inesperado. Mas vamos anunciar os vencedores agora. E o título de Rei do Baile High School vai para...
Mas na hora em que o coordenador anunciaria o vencedor, Lia fechou a porta do banheiro atrás de si, abafando todo o som que viria de fora.
- EU NÃO ACREDITO NISSO.
Uma mancha de molhado estava espalhada pelo seu busto. Estava da mesma cor, pois o ponche também era vermelho.
- Olha o que esse Poynter fez, cara - ela se acalmava a medida que Thalia se encolhia em um canto, com medo da amiga.
- Soph, calma. Vamos, tire o vestido.
Sophia relutou, mas entregou ele para Thalia, que encostou a mancha no secador de mãos ecológico, que soltava ar quente.
- Você é um gênio - os olhos de Sophia brilharam, agradecendo à amiga.
- Vamos - Lia falou enquanto Soph recolocava o vestido - do jeito que o Sr. Costas Largas fala muito, talvez ainda dê tempo de ver a coroação.
- Sophia - Bela entrou correndo no banheiro, assustando as duas. Ela estava com a mão no peito, para tentar controlar a respiração. Viera correndo.
- Que susto, louca.
- Você precisa vir - ela falou, ignorando Soph - LOGO!
- Ai, criatura! - Soph berrou para Bela enquanto era puxada pelo salão.
Quando entraram de uma forma nem um pouco triunfal, perceberam que todos olhavam para elas.
- Soph - Lia cutucou a amiga e apontou para o palco.
- Não acredito.

Parado em cima do palco ao lado do coordenador, estava Dougie Poynter. Logo o holofote começou a procurar por alguém. Passou por Bela, por Thalia e parou na Sophia. Bela empurrava a garota com força, empolgada por ela. Sophia andava relutante, sem saber o que estava acontecendo.
- Você foi nomeada, Soph - Bela explicou - Você foi nomeada Rainha junto com o Doug.
A menina subiu os degraus do palco e logo se via ao lado de quem ela menos queria estar. Então o Sr. Costas Largas colocou a coroa na cabeça do Poynter e logo em seguida da Harrison, que continuava sem reação.
- Agora - ele anunciou ao microfone - a dança do Rei e da Rainha.
Ouviram as palmas e uma música começou a tocar ao fundo. Danny e Tom estavam sozinhos no palco e Thalia se perguntou onde Harry se enfiara.
- Oh Darling! Please believe me - ele chegou perto do seu ouvido, cantando a música que tocava enquanto Soph e Doug começavam a dançar desajeitadamente - I'll never do you no harm...
- Harry, por favor - ela tentou se afastar dele, suas mãos fortes agora seguravam seu braço, e ele sorriu para ela.
- Você me deve uma música. Trato é trato.
Ela suspirou. Agora as pessoas já voltavam para a pista de dança com seus pares e Thalia percebeu que o Danny não viria, já que estava tocando violão. Ele piscou para ela lá de cima e sorriu triste por estar longe. Tom rapidamente falou alguma coisa no ouvido do Jones e desceu, tirando a Bela para dançar.
- Você me deve - Harry repetiu e Thalia se deixou levar por ele até a pista de dança.
- Por que você fez aquilo? - ela finalmente teve coragem de perguntar o que estava engasgado há semanas - Por que mentiu pra mim?
Ele olhou para os próprios pés por alguns segundos e tornou a olhá-la.
- Eu queria passar mais tempo com você. Queria te conhecer melhor. Saber o motivo de você mexer tanto comigo.
Ficou um tempo calado e ela não se atreveu a falar mais nada. Estava absorvendo lentamente tudo aquilo.
- Eu sabia que não seria fácil conseguir sua atenção desde que você começou a andar com a Florence. Sei que no passado eu não fui muito legal com ela. Nem com o Tom. E como eles são os seus melhores amigos, precisei de uma desculpa pra me aproximar.
- Você esqueceu da Soph - ela falou sem pensar.
- O que tem ela?
- No primeiro dia de aula ela caiu e você e o seu grupinho riram dela.
- Ei - ele se sentiu ofendido - a escola inteira riu dela, não foi só minha culpa.
- Eu não ri - Thalia disse com firmeza - Não acho graça nisso. Ela podia ter se machucado sério.
Esse assunto deixou o clima mais pesado e Thalia se arrependeu de ter tocado nele.
- Você melhorou muito na dança. Sabe, desde o primeiro dia - ela falou a primeira coisa que veio na cabeça, só pra descontrair.
Ele chegou perto dela, deixando apenas um espaço de pouco centímetros entre eles.
- Tive uma ótima professora.
Thalia estremeceu e ele sorriu.
Nessa hora, Tom sentou ao lado do Danny e começou a tocar uma música que não era dos Beatles e que Thalia não reconhecera.
- Acabou a música.
Thalia sorriu, indicando que o trato já havia sido cumprido.
- Só mais uma música, por favor - Harry pediu e Thalia estava pensando sobre o assunto.
Quando ela estava decidida a aceitar, sentiu uma mão em seu ombro. Tomou um susto quando virou. Era Danny.
- Se importa se eu dançar um pouco com o meu par? - Jones perguntou para o amigo.
Harry analisou a feição de Thalia, amaldiçoando até a nona geração do Danny.
- Não cara.
Ele puxou Thalia para perto e segurou mais forte sua cintura. Chegou os lábios tão perto de seu ouvido que ela prendeu a respiração.
- Vou deixar você ficar com ele um pouco agora - ela podia sentir que ele sorria - Mas um dia, você será minha.
E então ele simplesmente virou e foi embora, enquanto Danny pisava constantemente nos pés de Thalia.



A música já tinha mudado e Sophia ainda dançava com Doug. Eles ainda não tinham conversado, mas ela não queria sair de seus braços.
- Sabe, eu pedi para as pessoas votarem em mim para Rei e em você para Rainha.
- Por quê?
- Para eu ter a chance de me explicar. A chance de dizer tudo que eu venho sentindo, Sophia.
- Doug, por favor. E o que eu senti? E tudo que eu senti naquele verão? Você realmente nunca se importou com isso, né? - Doug se surpreendeu com o tom de voz dela. Não era de raiva. Era de decepção.
- Eu não... eu não sabia como...
Ele não conseguia formular uma frase e ela apenas riu com escárnio.
- Você na verdade nunca imaginou que eu fosse parar no mesmo colégio que você, né?
Ele assentiu, envergonhado.
- Aquela música - ela começou - você cantou pra mim?
Ele apenas assentiu novamente.
- Você não deveria ter cantado aquilo, Doug. Você não me conhece. Você não sabe verdadeiramente o que sente por mim. 
- Eu sei sim, Sophia. Só de olhar pra você, eu sei...
- Não Doug, não sabe - ela agora parou de dançar e se afastou dele - Você não sabe porque nunca se deu o trabalho de me conhecer. De conversar comigo. 
Ela fechou os olhos com força, evitando que alguma lágrima teimosinha resolvesse sair. E então ele aproveitou esse momento. Ele chegou bem perto e beijou seus lábios. Sophia retribuiu ao beijo puramente por reflexo. Logo se deu conta de quem estava beijando.
- Viu - ela disse ao se afastar - Não se dá o trabalho de me conhecer...
E largou no meio da pista de dança, um Rei recém coroado com tristeza no olhar.


O final da festa não foi tão emocionante quanto o meio dela, mas as meninas acabaram largando seus pares e se divertiram muito juntas, no meio da pista de dança.
- Tem certeza que está tudo bem pro Danny você estar comigo?- Sophia perguntou, se sentindo culpada.
- Ele disse que não queria dançar comigo, porque eu mal saí da cadeira de rodas e já teria que voltar pra ela, de tanto ele pisar no meu pé.
Elas gargalharam  e Thalia desviou seu olhar pra onde os meninos estavam. Tom falava animadamente com o Danny - aparentemente eles tinham voltado a se falar, sem explicações e sem ressentimentos - Doug murmurava qualquer coisa com Harry, mas ele não prestava atenção, pois olhava diretamente para Thalia. Seus olhares se cruzaram e ela rapidamente voltou sua atenção para o que a amiga dizia.
- E o que tá rolando entre o Harry e você?
Lia deu de ombros.
- Até onde eu sei, nada.
- Mas aquela dança - ela pareceu pensativa -  e a forma como ele não tirou os olhos de você quando cantou aquela música no palco...
-Olha, tanto a dança com ele, quanto a música, foram parte do trato para eles substituírem a banda que furou com o Tom.
Seu tom era firme e indicava que aquele assunto estava encerrado. Sophia entendeu o recado.
- Mas cara, eu não sabia que você sabia cantar... - mudou de assunto, a fim de não estragar a noite.
E então quanto o coordenador apareceu mandando todos irem para os seus dormitórios, - já que mesmo depois da música parar de tocar e as luzes se acenderem, a maioria permaneceu no salão conversando - Sophia e Thalia bocejaram juntas, o que as fez rir e começaram a andar em direção à torre feminina.
- Como é estranho estar andando pelo colégio de madrugada - Sophia comentou, estremecendo com o silêncio e a escuridão.
Thalia nada falou, já que passeara algumas vezes à noite pela escola quando ia se encontrar com Harry.
- Está tudo tão... vazio - Soph continuou, o que fez Thalia perceber que eram as únicas alunas em um raio de quilômetros.
- Que estranho - ela sentiu um calafrio percorrer a espinha, tendo a sensação de que estava sendo seguida. Olhou por cima do ombro esquerdo e sua respiração ficou mais pesada.
- Também estou achando - Sophia quebrou o silêncio gélido da noite, enquanto as duas apertavam os passos, ansiando por entrar na torre e sentirem-se seguras.
Subitamente Sophia parou, fazendo sinal para a amiga parar também. Ela apontou em silêncio para um vulto, que apareceu no campo de visão das duas. Thalia sabia que seus pés não a obedeceriam, mas sabia que sua mente estava mais confusa ainda. Não sabia se corria, gritava ou permanecia parada.
Quando elas resolveram começar a correr, uma pessoa veio por trás e agarrou Thalia, fazendo- a gritar. Sophia tentou correr até a amiga, mas foi bloqueada por outra pessoa. Ela fechou os olhos com força, até ouvir risadas. Ela abriu devagar os olhos e viu que quem segurava seus braços era o Tom e que Thalia lutava para se soltar do Danny.
 - Não acredito que vocês fizeram isso - ela ouvia a amiga reclamando, enquanto os meninos riam - Sério, Danny, se você não me soltar eu nunca mais falo com você.
- Ai que medinho, Lia - Tom zombou - Não vamos ceder às chantagens. Na verdade, vocês vão fazer um favor em troca da liberdade.
Mas antes que ele pudesse falar o que queria, Danny soltou Thalia.
- Danny! - Tom reclamou.
- Desculpa, cara. Gosto muito da Lia e não quero que ela não fale comigo nunca mais.
- Obrigada, Danny - Thalia agradeceu, enquanto ajeitava o seu vestido. Tom rapidamente soltou a Sophia, que deu um murro em sua cabeça.
- Ei, estou fazendo isso por você, poxa.
Ela olhou desconfiada e Danny riu.
- É sério, Soph. Precisamos de um favor.
As duas meninas se olharam e viraram para o Tom, exigindo uma explicação.
- Não posso falar, mas fica tranquilo que não engloba você, Lia - ele dirigiu seu olhar para a Soph e sorriu discretamente - Se eu estou pedindo algo junto com o Jones, você deveria me dar uma chance, Soph. Confia em mim.
A garota suspirou pesadamente e colocou as mãos na cintura.
- O que vocês estão aprontando, Fletcher?
- Confie e coloque essa venda - ele sorriu e mostrou pra ela um pedaço de pano.
- Tá de brincadeira, né?
Ele apenas negou com a cabeça e ela rolou os olhos.
- Lia, não deixe que façam gracinhas.
- Pode deixar.
E assim ela deixou que Tom amarrasse o pano cobrindo seus olhos e foi guiada pelos três amigos por um caminho que parecia interminável.
- Já estamos chegando?
Ela perguntou quando sentiu que o vento frio de repente cessou, mudando para uma temperatura agradável.
- Se você falar e formos pegos eu te mato, Sophia - Tom, muito delicado, sussurrou.

O silêncio em volta era tanto que Sophia sabia que só poderia estar em uma das torres. Ela estava com medo, achando que pudesse ser uma pegadinha dos meninos, mas não demonstrou. Thalia riu baixo ao perceber o que era, quando entraram no elevado.
- Você mocinha - Sophia acabou apontando para o Danny por engano - era pra estar me protegendo. Está compactuando com eles, não é?
- Cale essa boquinha, Sophia, por favor.
Thalia prendia o riso, mas deu um passo a frente e abriu a porta pela qual eles empurraram Sophia, ainda vendada. Ela tropeçou no degrau e quase caiu, mas foi amparada por um par de mãos que já estava dentro do quarto.
- Obrigada - ela disse no impulso.
- Bom, quando quiser sair, me liga - Lia falou, segurando o riso - E não me mate, cara. Estou fazendo isso para o seu bem.
E falando isso, ela trancou a porta do quarto, deixando Sophia sem entender. 
- Lia, abre isso.
Então ela resolveu tirar a venda. Quando olhou em volta, viu que estava no seu quarto, e que tinha companhia.
- Sério isso? Quantos anos vocês tem? Doze?

Depois de não  obter resposta de ninguém, Sophia bufou e sentou na sua cama, ignorando totalmente a presença do Doug em seu quarto.
- Ei, ele é legal - ele disse, apontando pro Noel, quando Sophia olhou em sua direção.
- É, tanto faz. 
Ela deu de ombros, tirando o sapato e encostando no travesseiro da cama.
- Soph, não fica com raiva deles. Eu pedi que fizessem esse favor. Eu queria ficar sozinho com você.
- Por que, Doug?
- Pra te conhecer melhor - ele respondeu com um sorriso tímido no rosto, fazendo a garota se calar. Eles ficaram em silêncio por alguns segundos, até que ela se recompôs.
- Vamos lá - ela bateu na cama, perto de si - o que quer saber sobre mim?
- Tudo - ele disse enquanto sentava na cama - Desde a sua infância, até agora. 
- O que é isso? Sessão de psicologia?
Ela riu baixo e ele sorriu com isso.
- Não quero que isso seja forçado - ele falou e ela rolou os olhos, fazendo um gesto com a mão indicando que estavam trancados em um quarto - Não - ele logo cortou - Sei que isso foi meio forçado, mas não foi o que eu quis dizer. Eu quis dizer que quero que nossa conversa seja natural, sabe?
Ele falou tudo meio rápido, o que deixou a frase bem enrolada.
- Eu entendi, Poynter. Estava só te provocando.
Ele olhou para o chão, feliz por ela estar se soltando aos poucos.
- Se importa se eu soltar o Noel um pouco?
Ele balançou a cabeça negativamente e ela levantou da cama para abrir a gaiola.
- Eu solto ele normalmente à noite... - ela se justificou.
Ele não respondeu, mas esticou a mão chamando o porquinho-da-índia, como se fosse um cachorro. Inexplicavelmente, Noel chegou perto o suficiente para mordiscar o dedo do garoto.
- Ai, ele me mordeu -  Doug sacudia a mão com força.
- Para de drama que isso nem dói.
Sophia riu dele e parou para olhar se tinha machucado mesmo. Só tinha um pontinho vermelho e ela mandou ele lavar a mão. Quando os dois estavam sentados novamente na cama, conversaram. Conversaram sem se preocupar com a hora. Sem se preocupar com o assunto. Conversaram até cansar, até que Doug encostou ao lado dela e eles acabaram dormindo.




Enquanto Sophia estava trancada com Dougie, Thalia ficou com Tom e Danny no quarto deles. Eles já estavam cansados de tanto conversar e Thalia começava a ficar impaciente.
- Será que eles se mataram? - Danny perguntou.
- Aqueles dois? A gente não pode nem duvidar - Tom riu.
- Acho que ela vai me matar - Lia suspirou - Mas eu só sei que são quatro da manhã e eu to sem quarto.
- Dorme aqui - Tom falou e Lia olhou descrente pra ele.
- Você quer que eu seja expulsa? Primeiro sou pega fora do quarto, ensaiando. E depois dormindo no dormitório masculino. Vão me expulsar com certeza.
- Não se preocupe com isso - Tom disse já se aninhando em sua cama - Pensamos em um jeito amanhã.
Ele bocejou e Thalia olhou em volta.
- Danny, pula pra cama do Tom pra eu dormir na sua.
Os dois se olharam e começaram a rir.
- Vou muito dormir com um cara na minha cama de solteiro, aham - Tom ironizou e Danny continuou rindo.
- Mas então onde eu vou dormir? - Lia perguntou, contrariada, alternando o olhar entre os dois.
Tom levantou da sua cama, pegou dois cobertores jogou no chão. Pegou uma almofada em forma de bola de rugby e um lençol. Improvisou uma cama no tapete do quarto e deitou lá, apontando para a cama dele.
- Sai daí, Tom. Eu que vou dormir aí. 
Ele apontou novamente para a própria cama e deu de ombros.
- Fazer o quê? Sou cavalheiro, então aproveite que estou de bom humor.
Ela sorriu pra ele e se aproximou, depositando um beijo estalado na bochecha do amigo.
- Obrigada, tá?
Ela deitou na cama dele e se cobriu, esperando que o Danny apagasse as luzes. Quando a escuridão tomou conta do quarto, eles se desejaram boa noite e logo o cansaço venceu os três.